A crise política em São Sebastião do Umbuzeiro deixou de ser um ruído de bastidores e passou a se tornar um problema institucional grave. A gestora do município, Sra Adalcy Freitas mantém, desde o início da atual legislatura, um embate declarado com cinco vereadores, após três deles romperem com a base governista por não aceitarem uma imposição política: a indicação, de cima para baixo, de um aliado do Executivo para presidir a Câmara Municipal.
A reação veio nas urnas internas do Legislativo. Uma vereadora, Sildete do Salão , decidiu enfrentar o sistema, lançou candidatura própria, conquistou o apoio dos dois vereadores da oposição e foi eleita presidente da Casa. A derrota do Executivo no comando do Legislativo marcou o início de uma sequência de retaliações políticas que vêm se acumulando desde então.
Os três vereadores que ousaram romper com a gestão passaram a ser tratados como inimigos políticos. A mais recente e mais grave retaliação envolve o duodécimo da Câmara Municipal. Em uma atitude que beira o absurdo administrativo, a própria gestora sancionou uma lei que reajusta os valores do repasse ao Legislativo, mas simplesmente se recusa a cumprir o que ela mesma transformou em lei.
Ou seja: a prefeita sanciona, publica, mas não executa. Um claro desrespeito ao Poder Legislativo, à legalidade e à autonomia entre os poderes, princípios básicos de qualquer democracia minimamente funcional.
A manobra compromete o funcionamento da Câmara, engessa atividades legislativas e escancara o uso da máquina pública como instrumento de vingança política e comando da coisa pública como se fosse de propriedade da gestora. O que deveria ser uma divergência democrática se transformou em um jogo de força que penaliza instituições e fragiliza a governabilidade do município.
Enquanto a disputa política se intensifica, quem paga a conta é a população de São Sebastião do Umbuzeiro, que assiste a um espetáculo lamentável de prepotência , intolerância política, descumprimento de lei e desrespeito às regras do jogo democrático. Essas atitudes ferem não somente a Lei, mas principalmente a postura de gestão imparcial e o uso do dinheiro público com isenção e responsabilidade.
