O Vaticano reconheceu, nesta segunda-feira (31), o Padre Ibiapina como venerável. O decreto foi assinado pelo Papa Francisco e destaca a trajetória de fé intensa e dedicação ao próximo do sacerdote paraibano, que se tornou uma figura emblemática da caridade e do cuidado com os mais necessitados.
Padre Ibiapina foi sacerdote da Arquidiocese da Paraíba e, durante a epidemia de cólera, ficou conhecido como “peregrino da caridade”. Atuando principalmente na Paraíba e no Rio Grande do Norte, ele fundou diversas casas de acolhimento e assistência, promovendo saúde, educação cultural e moral, formação religiosa e profissionalizante. Sua dedicação ao povo pobre e sua luta por melhores condições de vida lhe renderam grande respeito e admiração.
De acordo com o Vaticano, o reconhecimento se deu por sua “existência exemplar, vivida com fé intensa, alimentada pela oração constante e pela Eucaristia, e evidenciada por sua confiança em Deus em cada escolha de vida”. A nota pontua que a fama de santidade que acompanhou o Padre Ibiapina em vida continuou após sua morte, sendo acompanhada por testemunhos de graças.
Em nota, a Diocese de Guarabira celebrou o reconhecimento de suas virtudes heroicas, afirmando que “se alegra com a notícia do reconhecimento das virtudes heroicas do Padre Ibiapina, o tornando venerável para a Igreja”.
Sobre Padre Ibiapina
Brasileiro, natural de Sobral, no Estado do Ceará, José Antônio Maria Ibiapina, hoje venerável, nasceu em 5 de agosto de 1806. Ingressou no seminário de Olinda (Pernambuco) em 1823, onde permaneceu apenas três meses devido à morte prematura de sua mãe. Quando eclodiu a revolta antilusitana em 1824, durante a qual seu pai e seu irmão foram presos como rebeldes, o primeiro executado e o segundo condenado ao exílio, José foi obrigado a dedicar-se aos estudos jurídicos para poder exercer uma profissão e sustentar suas irmãs que continuavam na pobreza. Após se formar em Direito, tornou-se professor e depois magistrado e delegado de Polícia da Prefeitura de Quixeramobim-Ceará.
Em 2 de maio de 1834, foi eleito para o Parlamento Nacional e lhe foi confiada a presidência da Comissão de Justiça Criminal. Em 1835, ele apresentou um projeto de lei para impedir o desembarque de escravos vindos da África em território brasileiro. Mas como suas tentativas de melhorar o sistema judiciário não tiveram sucesso, ele renunciou ao cargo de juiz e, uma vez encerrado seu mandato, não renovou sua candidatura ao Parlamento e mudou-se para Recife a fim de exercer a advocacia ao lado dos mais pobres.
Em 1850, ele abandonou sua carreira jurídica, retirou-se para a solidão e voltou a cultivar sua vocação inicial e, em 1853, foi ordenado sacerdote. Foi-lhe confiada várias tarefas na diocese da Paraíba e durante a epidemia de cólera entregou-se sem reservas, tanto que o povo o chamava de “peregrino da caridade”. Fundou várias casas de acolhimento e assistência à saúde, educação cultural e moral, formação religiosa e profissionalizante nas regiões da Paraíba e do Rio Grande do Norte. Ele também organizou missões populares e fez construir igrejas, capelas, hospitais e orfanatos.
No final de 1875, ele foi acometido por uma paralisia progressiva dos membros inferiores e foi obrigado a se locomover numa cadeira de rodas. Tendo piorado irreversivelmente, faleceu em 19 de fevereiro de 1883. Foi reconhecido como venerável por sua existência exemplar, por ter vivido uma fé intensa, alimentada pela oração constante e pela Eucaristia e evidenciada por sua constante confiança em Deus e em sua Providência em cada escolha de vida. A fama de santidade que o acompanhou durante sua vida continuou após sua morte, acompanhada de testemunhos de graças.