O Instituto de Saúde Elpídio de Almeida (Isea), em Campina Grande, registrou o segundo caso de morte neonatal em menos de um mês. O bebê Ravi Emane não resistiu após o parto, e a família aponta falhas no atendimento médico como causa do óbito.
De acordo com o relato da mãe, Francikelly, o recém-nascido foi encaminhado para outra unidade com a justificativa de que havia ingerido líquido amniótico. No entanto, segundo ela, não houve comunicação imediata sobre o estado de saúde do bebê, o que gerou indignação entre os familiares.
Um boletim de ocorrência foi registrado na Polícia Civil nesta segunda-feira (31), e o sepultamento da criança ocorreu no domingo (30), na residência da família.
A Secretaria Municipal de Saúde informou que a direção do Isea está apurando o caso para esclarecer as circunstâncias da morte. A pasta destacou que a mãe apresentava histórico de tabagismo, fator que, segundo a nota, pode ter contribuído para o desfecho do parto.
Relembre o caso anterior de morte neonatal no Isea
O Instituto de Saúde Elpídio de Almeida (Isea), em Campina Grande, está sendo alvo de investigação pela Polícia Civil por uma possível negligência médica. De acordo com informações divulgadas pela família da vítima nas redes sociais, Danielle perdeu o filho, Davi Elô, e teve seu útero removido após um rompimento causado pela superdosagem de medicamentos.
O pai do bebê, Jorge Elô, relatou em publicação no Instagram que a gravidez de Danielle foi acompanhada em uma clínica particular e o médico responsável era Mário de Oliveira Filho (CRM-PB 2463). Aos 6 meses de gestação, Danielle sofreu um tromboembolismo e precisou usar anticoagulantes (injeções diárias). Após isso, o médico recomendou o parto normal no Isea e afirmou ser a opção mais segura.
Danielle estava com 39 semanas de gestação e chegou no hospital no dia 27 de fevereiro, com 3 centímetros de dilatação. No dia seguinte, um ultrassom indiciou que o parto seria vaginal. Os profissionais da unidade administraram dois comprimidos intravaginais, sendo o primeiro às 14h, para induzir o parto, e a dilatação chegou a 6 centímetros horas depois.
Jorge comentou que o médico que acompanhou Danielle durante a gestação estava na unidade, o que a fez sentir mais segura, mas “mal sabíamos que essa confiança nos levaria à tragédia”.
Já no dia 01/03, às 3h, o médico decidiu substituir a medicação por uma infusão intravenosa, intensificando as contrações. Após três horas com muitas dores, duas profissionais acusaram Danielle de “fazer escândalo”. Neste momento, a cabeça do bebê já estava visível, mas mesmo assim, uma das profissionais, sem consultar o médico, aumentou a dosagem da medicação. Danielle começou a vomitar e tremer de frio e ao questionar a reação, foi dito que era normal. Desesperada, ela pediu para não ficar sozinha, sem apoio das profissionais, que alegaram ter outras pacientes para atender. O médico, Mário de Oliveira Filho, já não estava mais na unidade e não procurou a paciente antes de deixar o plantão.
O parto não evoluiu mais após a superdosagem e Danielle ainda foi acusada de não colaborar, sendo forçada a continuar tentando o parto vaginal. Ela desmaiou e foi encaminhada às pressas para uma cesariana de emergência, mas Davi Elô já estava morto.
“A negligência da equipe custou a vida do nosso filho e a saúde de Danielle”, lamentou Jorge.
De acordo com Jorge, além de todo o sofrimento, a família também enfrenta custos altíssimos com tratamentos pós-cirúrgicos e psicológicos. Ele também pede apoio jurídico para responsabilizar o médico e a equipe do Isea, para evitar que mais famílias sejam vítimas, além do compartilhamento do caso com a hashtag #JustiçaPorDaviElo.
“Não descansaremos até que os responsáveis sejam punidos. Davi Elô e nossa família merecem justiça”, concluiu Jorge.