Moradores de São João do Tigre estão cobrando explicações do prefeito Márcio Leite sobre a situação do Centro de Produção de Confecções do município, projeto que já recebeu mais de R$ 1 milhão em recursos públicos estaduais, mas que, segundo os denunciantes, até hoje não teria gerado sequer um posto de trabalho dentro da estrutura.
Os documentos apontam que o primeiro investimento aconteceu ainda em 2022, quando o município celebrou o Convênio nº 0027/2022 junto ao Fundo de Desenvolvimento do Estado da Paraíba (FDE), no valor de R$ 549.917,36, destinado exclusivamente à construção do Centro de Produção de Confecções de São João do Tigre.
Dois anos depois, em 2024, foi celebrado um novo convênio, desta vez no valor de R$ 506.200,00, destinado à aquisição das máquinas de costura industrial e equipamentos de corte que iriam equipar o centro e possibilitar o início das atividades.
Somados, os dois investimentos ultrapassam a marca de R$ 1.056.117,36 aplicados no projeto entre a construção da estrutura física e a compra dos equipamentos industriais.
Além disso, conforme os processos licitatórios e contratos públicos, foram adquiridas dezenas de equipamentos industriais destinados ao funcionamento do espaço, entre eles máquinas retas, goleiras, overlocks, interlocks, elastiqueiras e máquinas de corte, totalizando mais de cem equipamentos industriais destinados ao centro de confecções.
Segundo os moradores, o problema é que, passados anos desde a construção do prédio e mais de dois anos desde a aquisição e destinação dos equipamentos para o projeto, o centro permanece sem funcionamento e as máquinas seguem sem utilização.
“Hoje aquele espaço serve apenas para a poeira, para o tempo e para a ferrugem. Não trabalha ninguém. As máquinas estão lá sem servir a ninguém, enquanto jovens e mães de família continuam comprando máquina no cartão, alugando ou pegando emprestado para conseguir trabalhar”, afirmou um dos denunciantes.
Os moradores afirmam ainda que, passados mais de dois anos desde o início do projeto e meses após a formalização das aquisições, os equipamentos seguem sem cumprir a finalidade para a qual foram adquiridos.
As críticas ganham ainda mais força diante da realidade do distrito de Cacimbinha, onde a costura é considerada uma das principais atividades econômicas da comunidade.
“O forte de Cacimbinha é a costura. Muitas famílias sobrevivem das facções e das confecções ligadas ao polo de Santa Cruz do Capibaribe. Em São João do Tigre também existe mão de obra e vontade de trabalhar, principalmente entre os jovens, mas falta oportunidade.”
Os moradores afirmam que, em cidades pequenas, os jovens vivem em busca de uma oportunidade para conquistar independência financeira e ajudar suas famílias.
“O jovem de cidade pequena sempre procura uma oportunidade. Muitos compram máquina no cartão, outros alugam, outros pegam emprestado. Tem gente recebendo R$ 500 ou R$ 600 enquanto poderia estar trabalhando nesse centro de costura e tirando um salário muito melhor através do próprio trabalho.”
Outro ponto levantado pelos denunciantes é que, caso o município não consiga colocar o centro em funcionamento, deveria estudar mecanismos legais para colocar os equipamentos em atividade.
“Se não consegue funcionar o centro, faça cessão de uso para quem quer trabalhar de verdade e sustentar a família através da costura. O que não pode é mais de cem máquinas ficarem servindo apenas à poeira e à ferrugem.”
Ao final, um dos moradores resumiu o sentimento de indignação: “Mais de um milhão de reais investidos e até hoje não foi produzido sequer um bolso de uma calça, um bolso de uma camisa ou pregado um botão dentro desse centro de confecções. Isso é uma vergonha para nossa cidade.”
VEJA OS DOCUMENTOS:





POLÍTICA PARAHYBA


