A recente cobrança do prefeito de São João do Tigre pela conclusão da rodovia que liga São Sebastião do Umbuzeiro à divisa de Pernambuco levanta uma pergunta inevitável: por que essa cobrança só ganha força agora?
A obra foi anunciada ainda durante a gestão do ex-governador João Azevêdo, governo do mesmo grupo político ao qual o prefeito pertence e que hoje tem continuidade com Lucas Ribeiro. Se o próprio João sempre defendeu que “Lucas é João e João é Lucas”, fica difícil compreender por que a cobrança é direcionada ao atual governo como se não houvesse responsabilidade política acumulada pelos últimos anos.
O mais curioso é que, durante todo esse período, a população de São João do Tigre continuou convivendo com problemas muito mais próximos da sua realidade.
Enquanto se cobra uma rodovia importante para a região, permanecem sem a mesma mobilização estradas que impactam diretamente a vida dos moradores do município. A ligação entre São João do Tigre e Cacimbinha é fundamental para o escoamento da produção do polo de corte e costura para Pernambuco. Já a estrada para Poção representa acesso à educação, à saúde, ao comércio e fortalece a atividade da renda renascença.
Também dependem dessas ligações comunidades como Santa Maria e Quati, onde moradores utilizam diariamente essas rotas para chegar às escolas, aos serviços públicos e aos atendimentos médicos em Pernambuco.
Ninguém questiona a importância da rodovia entre São Sebastião do Umbuzeiro e Pernambuco. Ela beneficia toda a região e melhora o acesso a Arcoverde. O que se questiona é a ordem das prioridades. Para quem vive em São João do Tigre, as estradas que movimentam a economia local, garantem o transporte escolar e permitem o acesso à saúde parecem muito mais urgentes.
Outro fato que merece reflexão é que o contrato da obra acabou sendo distratado. Se isso aconteceu após anos de um governo aliado da atual gestão municipal, é legítimo perguntar: por que a cobrança não foi feita antes? Onde estava a mesma cobrança quando havia tempo para evitar que a obra chegasse a esse ponto?
Na política, coerência importa. Quem faz parte de um projeto político durante anos também divide a responsabilidade pelos seus resultados. Não basta cobrar quando a obra deixa de existir no papel; é preciso explicar por que ela não saiu do papel quando havia condições políticas para isso.
A população de São João do Tigre espera menos discursos e mais resultados. E espera, principalmente, que as prioridades do município sejam definidas pelas necessidades reais de quem vive ali todos os dias, e não pelo momento político.
Ao final, a pergunta que fica é: se, como o próprio prefeito afirma, “João é Lucas e Lucas é João”, por que ele apoia Lucas Ribeiro para o Governo do Estado, mas não apoia João Azevêdo para o Senado Federal? Se um representa o outro, qual a explicação para essa diferença de posicionamento político?
POLÍTICA PARAHYBA

