Na política de São Sebastião do Umbuzeiro, as reviravoltas parecem não ter fim. O vereador Alexandre de Lala, que incentivou o rompimento de três parlamentares com a base governista e teve papel central na articulação que levou Sildete Salão à presidência da Câmara, foi um dos críticos mais ferrenhos da prefeita e do antigo presidente do Legislativo.
Discursos duros, acusações e ataques marcaram aquele período. Os dissidentes, que ajudaram a construir uma nova configuração política na Câmara, passaram a enfrentar uma sequência de conflitos, perseguições e constrangimentos.
Há apenas quinze dias, Alexandre posava ao lado de Sildete, reafirmando compromisso com sua eleição para mais um biênio à frente da Câmara. Hoje, outra fotografia revela uma nova aliança: abraços, afagos e apoio declarado à prefeita e ao seu grupo para a disputa pela presidência do Legislativo.
Mas, afinal, o que mudou tão radicalmente em tão pouco tempo?
Para onde foram os discursos inflamados, as críticas contundentes e as palavras duras proferidas nas redes sociais e nas esquinas da cidade? O que aconteceu para que antigos adversários se tornassem aliados tão rapidamente?
O eleitor tem todo o direito de questionar. A política permite alianças, mudanças de posicionamento e novos acordos, mas a coerência e a transparência não deveriam ser sacrificadas em nome de conveniências circunstanciais.
É preciso que a classe política compreenda, de uma vez por todas, que eleitor não apenas vota: ele pensa, reflete, compara e não esquece.
Quando discursos e posturas mudam tão radicalmente, sem explicações públicas convincentes, as dúvidas se multiplicam. E fica a pergunta que ecoa entre os eleitores: essa mudança atende aos interesses do município ou a conveniências políticas particulares?

